sexta-feira, 14 de outubro de 2011

The Sun afirma: jogos causam demência

O "The Sun", aquele famoso jornal sensacionalista da Inglaterra, publicou um artigo que relata que o entretenimento interativo leva as crianças à demência.

A conclusão é da neurocientista Susan Adele Greenfield. A cientista admitiu que a tecnologia pode despertar a criatividade, mas também avisa


"As tecnologias com imagens criam uma grande excitação que pode ativar um vício no sistema cerebral, algo que aumenta ainda mais com a atividade baseada no que está acontecendo na tela, havendo o perigo de fazer a mente voar."

De acordo com Greenfield, o cérebro "pode ser desativado temporariamente por atividades com um forte conteúdo sensorial ou ficar inativo permanentemente por degradação, causando a demência."

Sensacional, não?

Durante a sua conferência em Dorset, Greenfield disse que, "Existe a necessidade de sair de casa, subir às árvores, sentir a relva nos pés e o sol no seu rosto."

Esta nova campanha de ataque aos jogos de videogame segue o que o jornal Metro exibiu no passado, em que afirmava que os jogadores não conseguem distinguir  o mundo real e o virtual. Para dar crédito a sua tese ele citou casos de jovens que gostariam de poder usar as pistolas gravidade de Half-Life na vida real. Aquelas que puxam os objetos até você, e fazem com que o utilizador possa levantar e arremessar objetos sem esforço.

Quem não gostaria de usar uma? Qual engenheiro civil ou mestre de obras não daria um olho por uma dessas? A ficção mostrada nos livros, jogos e no cinema já inspirou muita gente a fazer engenhocas imaginárias se tornarem realidade. O iPad da Apple pode ser citado como um exemplo disso e nem por isso Steve Jobs era demente. Veja a cena em que um dispositivo similar aparece no clássico da ficção: "2001 Uma Odisséia no Espaço".



Então, segundo o The Sun, 2001 causa delírios em telespectadores e afetam de maneira irreversível o cérebro de CEO's de empresas de tecnologia.

Dizer que leva a demência quando há casos de indivíduos que jogaram muito e são completamente normais, é no mínimo, falta de raciocínio matemático. Como pode-se afirmar que leva, ou seja, desencadeia, se há casos em que não houve danos?

Na minha opinião, isso é mais um ataque a uma área que só cresce e hoje é a maior indústria de entretenimento do mundo. É claro que jornais baratos que deveriam/desejariam entreter não gostam deste tipo de novidade. Foi assim quando o rádio surgiu, quando a TV surgiu e quando a internet surgiu. E já que não dá para acabar com a internet, a TV e a mídia impressa atacam os jogos de computador. Para esses veículos de comunicação é muito mais saudável, para sua mente e corpo, ficar sentado passivamente olhando as coisas acontecerem em uma tela do que participar do que ocorre nela. Isso faz sentido? Claro que não!

É bem verdade que jogar toma tempo e só fazer isso da vida é puro desperdício. Mas afirmar que causa danos cerebrais é mais completo delírio.

Tenho a sensação que os loucos falam dos normais agora.